per Mariam ad Iesum

S. Bernardo de Claraval

MENU

Editorial do Ecos de Penajóia – Abril

editorial abril - Paróquia de Penajóia

Uma Carta ao Padre Armando

 

O Mons. Armando, conhecido entre nós como o Padre Armando, foi pároco desta comunidade ao longo de trinta anos. Dinamizou cada lugar, viveu tradições e momentos que marcaram a história de Penajóia. Quando aqui iniciou o seu ministério, vinha de Paris, onde aprofundara a sua formação pastoral. Trazia um espírito aberto, disponível e ousado, próprio do tempo de renovação que a Igreja vivia com o Concílio Vaticano II. Sonhava uma Igreja mais próxima, participativa e comprometida com todos.
A sua primeira grande iniciativa foi a escrita. Num estilo simples, direto e profundamente pastoral, procurava tornar acessível a Palavra de Deus. Todas as semanas elaborava uma folha paroquial, ajudando as pessoas a compreender e a viver a fé no seu dia a dia. Mais tarde, ao perceber que o Jornal Ecos de Penajóia tinha deixado de ser publicado, decidiu reeditá-lo. Assim nasceu uma nova etapa deste jornal, registado como publicação local e mantido até hoje.
Os primeiros tempos não foram fáceis. Era necessário reunir colaboradores, selecionar notícias, escrever textos, escolher imagens e garantir a distribuição. Jovens e adolescentes reuniam-se na residência paroquial para dobrar os exemplares, preparar os envios e distribuir o jornal pela comunidade e pelos emigrantes. Num tempo sem redes sociais, o jornal era elo entre quem partia e quem ficava levando notícias, memórias e identidade.

O seu amor à terra levou-o também a valorizar as suas raízes. Conhecedor do ritmo agrícola das gentes de Penajóia, promoveu a valorização da cereja, incentivando a criação de iniciativas que culminaram na Festa da Cereja. Muitos recordam ainda esses momentos, em que a estrada nacional 222 parava para dar lugar à festa, à partilha e à alegria comunitária.
A música ocupava igualmente um lugar importante na sua ação pastoral. Promoveu o canto e o folclore, reconhecendo neles uma forma de expressão da identidade e da fé do povo.
Conheci o Padre Armando no seminário, onde foi meu professor de História, e através da amizade com o Rui Borges, de S. Geão (padre) e o Luís Miguel Cardoso, do Ribeiro (professor). Durante vários anos, acolheu-me nesta casa nos dias da Páscoa. Recordo com gratidão a sua família que aqui se reunia nestes dias, os momentos de convívio, as conversas, as risadas, a simplicidade com que recebia todos. Eram tempos de verdadeira fraternidade. Recentemente, tive a oportunidade de o reencontrar na celebração do Dia do Doente, com as Irmãs Filhas de São Camilo. Apesar da fragilidade, mantinha a alegria e o humor. Celebrámos juntos, partilhámos palavras e o momento que ficará guardado.
Hoje sabemos que se encontra fragilizado. O tempo dirá o caminho que ainda tem a percorrer. Talvez já não o vejamos entre nós como antes, mas permanece vivo na memória e no coração desta comunidade. E quando chegar a hora de regressar à casa do Pai, levará consigo este povo que tanto amou.
Obrigado, Padre Armando, pelo testemunho, pela amizade e pelos “Ecos” que deixaste. Continuamos a rezar por ti.

José Fernando, in Ecos de Penajóia, ano 59, nº 666, 30 de abril 2026.

Partilhe este Artigo:

Share on facebook
Share on twitter
Share on email
Share on whatsapp

Paróquias de Avões, Ferreiros, Penajóia e Samodães

QUARESMA 2021

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.

Paróquias de Avões, Ferreiros, Penajóia e Samodães

QUARESMA 2021

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.

Tem fotos ou conhece histórias que gostaria de partilhar nesta pagina?
Fale connosco, envie os seus testemunhos para: geral@paroquiadepenajoia.pt