- Natal vive-se, cada vez mais, de forma antecipada. Ainda o mês de dezembro mal começou e já as luzes se acendem, as músicas ecoam nas ruas, as montras se enfeitam e a publicidade nos empurra para um consumo acelerado. Tudo parece ter de acontecer depressa: queremos crescer depressa, chegar a objetivos rapidamente, viver sem tempo para esperar. Também o Natal corre o risco de entrar neste ritmo, desejado com ansiedade, mas pouco preparado com a profundidade e a dignidade que merece.
O Natal, porém, não é, antes de tudo, um tempo de compras, mas um tempo de acolhimento. É o tempo em que Deus pede espaço no nosso coração e na nossa vida. Natal é paz, é amor, é encontro. Quando reduzimos o Natal à sua dimensão comercial, corremos o risco de esvaziar o mistério da Encarnação, esquecendo que Jesus nasce para a nossa história concreta, com as suas fragilidades, alegrias e feridas. Esse vazio pode transformar a festa numa obrigação cansativa, feita de presentes trocados à pressa, em vez de um verdadeiro dom de vida partilhada.
O Natal cristão recorda-nos que Deus Se faz pequeno para caminhar connosco, para nos sustentar nas dificuldades, na solidão e nas lágrimas escondidas. Não se trata de rejeitar os sinais exteriores da festa, mas de regressar ao essencial: permitir que, por detrás das luzes e dos embrulhos, brilhe a luz de Jesus. Quando O deixamos nascer no coração, nas famílias e na comunidade, o Natal deixa de ser apenas uma data do calendário e torna-se encontro, esperança e recomeço.
- Presidenciais. O atual período de pré-campanha presidencial tem sido marcado por um número quase interminável de debates, tantos que muitos eleitores se terão sentido perdidos entre promessas, intenções e desafios. Alguns momentos mais pareciam campanhas para eleições legislativas, esquecendo que o Presidente da República tem poderes executivos limitados e uma missão distinta, de garantia, equilíbrio e representação. Ainda assim, votar é sempre um direito e um dever cívico. Cabe a cada cidadão, e também a cada cristão, fazer o seu discernimento e escolher, em consciência, quem considera ser o melhor representante para exercer a função de Presidente da República.
- Dia da Família. No domingo seguinte à Solenidade do Natal de Jesus, a Igreja celebra o Dia da Sagrada Família, ocasião privilegiada para contemplar a família como a célula mais importante da sociedade e da comunidade cristã. Neste dia, na nossa paróquia, convidamos de modo especial todas as famílias a participarem juntas na Eucaristia: pais, filhos e avós a caminharem lado a lado até à igreja, oferecendo a Deus a sua vida familiar com as alegrias e desafios de cada dia. Recordamos também, em ação de graças, as famílias que, ao longo de 2025, celebraram as suas bodas de prata e de ouro, sinal de fidelidade e de amor perseverante. O Natal é também tempo de encontro em família: que cada lar possa viver estes dias com fé, serenidade e carinho, à luz do exemplo da Sagrada Família de Nazaré. A todos os leitores e amigos desejamos um Santo e Feliz Natal.
José Fernando, in Ecos de Penajóia, ano 58, nº 664, 26 de dezembro 2025.